| Profilo di ClarissaMemórias, Crônicas e Dec...FotoBlogElenchi | Guida |
Memórias, Crônicas e Declarações de Amor12 febbraio Nantes
Uma vez eu tinha 2 anos e quase matei meu pai de susto ao me encontrar sentada na borda da sacada da varanda, com os pezinhos balançando a metros e metros do chão, só pra ver direito o flamboyant que debruçava suas flores vermelhas sobre o muro do prédio. A verdade é que eu nunca gostei de ver através de grades, telas, janelas, vidros, óculos – nada emoldure minha vista. Me faz sentir presa. Eu gosto da visão sem limites e do vento no rosto, já que não posso voar. Ao menos me faz sentir menos enclausurada, já que meus pés têm sempre que estar pregados no chão por causa da gravidade. Gosto de altura. De pôr os pés pra fora da borda e sentir aquele frio na barriga. Nadar é o que mais se aproxima de voar, já que não tenho asas. Só faltava respirar. Ouvir música é um outro vôo de pássaro também. É liberdade. Então se não tenho asas, até o dia em que puder nascer num beija-flor ou um sabiá, (ou até um urubu carniceiro!), vou passarinhando por aí da melhor maneira que puder encontrar. Sobre essa tal felicidade
Pra felicidade, na minha cabeça, sempre existiu uma divisão: a de “curto prazo” e a de “longo prazo”. A primeira, acho é algo mais parecido com o humor, é uma coisa mais momentânea. Você pode estar meio irritada ou eufórica ou melancólica e mesmo assim, no fundo, no fundo mesmo, estar o oposto disso. Do tipo “eu sou feliz e estou satisfeita com a minha vida, mas no momento me encontro irritada”. Isso faz parte. A segunda, acho que é uma coisa mais profunda, é como você se sente com relação à sua vida e às pessoas que estão nela, é uma coisa mais duradoura, que normalmente demora a mudar e se altera na medida em que amadurecemos e que a nossa vida vai mudando. Por isso que eu sempre pensei – e acho que todo mundo também – que felicidade não é um mar de euforia eterna sem direito a seus momentos de crise. No mundo real nada funciona como no kitsch da propaganda de margarina. Nem pra mim existe essa tristeza é um chororô eterno; às vezes a gente pode até achar graça em algumas coisas, rir um pouco, manter a calma, e o sorriso lá no fundo, no fundo mesmo, ser um pouco aguado porque você depois de um momento de leveza, lembra que ainda não está bem de verdade. Outra coisa que eu observei, é que felicidade é 80% como andam minhas relações afetivas – com parentes, amigos, aqueles com quem mais me importo. Porque eles são minha base, meu conforto e o que me prepara pra encarar os outros 20. Quando eu penso que poderia congelar o tempo, para que ele pudesse durar o máximo possível, geralmente é com eles que estou. Não é assim, altruísta não. É puro egoísmo. Eu preciso deles pra ser feliz. Então é assim, mesmo com seus tropeços e crises, mesmo já tendo, na minha vida, sido muito mais feliz e leve do que sou hoje, o que sobra de saldo é que viver é mesmo muito bom. Vai ver é a esperança que nunca acaba, de que tudo melhore, os sonhos que são maiores que o cotidiano massacrante (e delicioso!). Mas por aqui a gente vai vivendo mesmo e é com muita graça. O caminho? A gente descobre. 04 febbraio O Kitsch
Uma das coisas com que mais me identifiquei quando li Kundera foi o capítulo que falava sobre kitsch. Foi apaixonante ler aquilo porque era uma idéia acerca das coisas que cutucava constantemente a minha cabeça, então chega o danado e traduz tudo certinho! Eu iria até a república tcheca só pra tacar um beijo nele por isso. Segundo disse, o kitsch seria a tentativa de exclusão de tudo o que há de inaceitável e contraditório na existência humana. Ele não aceita a ‘merda’.
O Kitsch apela para o sentimentalismo, utilizando-se de imagens-chave – a filha ingrata, a pátria traída, as dores do amor, homens públicos beijando criancinhas – sendo o ideal estético de todos os movimentos ideológicos e partidos políticos, propagandas, livros, filmes, religiões, até mesmo nas relações entre as pessoas, todos com seus clichês e imagens-chave. E há até mesmo um kitsch-underground, ou kitsch-anti-kitsch – ninguém está a salvo!
“O Kitsch faz nascer, uma após a outra, duas lágrimas de emoção. A primeira lágrima diz:
– Como é bonito crianças correndo no gramado.
A segunda lágrima diz:
– Como é bonito ficar emocionado, junto com toda a humanidade, diante de crianças correndo no gramado.
Somente esta segunda lágrima faz com que o Kitsch seja o Kitsch.”
O universo da cultura de massa atual, cujas exigências de mercado baseiam-se nas tendências gerais de consumo, obedecem ao padrão médio das imagens-chave que formam o kitsch de seu público-alvo, e têm conhecida falta de originalidade e conteúdo na maioria das vezes. Esse é uma de suas expressões mais óbvias – já virou até lugar-comum brincar com a satisfação familiar matinal de um comercial de margarina ou o sucesso com as mulheres que faz um homem que usa Axe. Tenho fé que ninguém é ingênuo a ponto de não notar o que há por trás nesses casos. Mas o Kitsch que eu considero mais perigoso é aquele que mexe com nossos ideais políticos e religiosos, camuflando nos discursos apaixonantes potencial para o fundamentalismo. Foram esses que consumiram milhares de vidas ao longo da história e possibilitaram a adesão a atrocidades como o nazismo. Não que as outras formas também não sejam alienantes e hipócritas.
Os olhos que se enchem de orgulho ao lembrar dos grandes movimentos que culminaram em 1968 também refletem o grande Kitsch por trás do que realmente aconteceu nessa época de grandes idealizações. Não que não tivessem tido grande importância e revolucionado o pensamento ocidental. Isso é inegável. Mas também não exageremos.
“... o que a repugnava não era tanto a feiúra do mundo comunista... mas a máscara de beleza com que ele se disfarça, ... o kitsch comunista.”
Mais além, Kundera ainda diz que, por maior que possa ser nosso desprezo por ele, o Kitsch faz parte da condição humana. E, sendo reconhecido como tal, ele perde seu poder totalitário. Pode-se chorar com um filme sentimental, pode-se empolgar com uma música dita “brega”, sem necessariamente estar se rendendo ao Kitsch. Isso só aconteceria no caso de se levar a sério as emoções despertadas pelas imagens-chave do Kitsch em questão, no caso de se deixar escorrer a ‘segunda lágrima de emoção’ que torna Kitsch o Kitsch.
“O que restou dos agonizantes no Camboja?
Uma grande foto da americana com uma criança amarela nos braços.
O que restou de Tomas?
Uma inscrição: desejava o reino de Deus na Terra.
O que restou de Beethoven?
Um homem carrancudo com uma cabeleira inverossímil que pronuncia com voz soturna: ‘Es muB sein!’
E assim por diante, e assim por diante. Antes de sermos esquecidos, seremos transformados em Kitsch. O Kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento.”
E encerra de forma genial. 09 dicembre axolotl"Para os astecas eram monstros aquáticos, porque eram diferentes. Vivem sempre dentro de água, ao contrário das outras salamandras que na idade adulta perdem as guelras e passam a viver em terra. Têm uma capacidade única de regenerar qualquer parte do seu corpo que seja cortada, por um número indefinido de vezes. E às vezes são rosados.
O seu nome remete para o grande irmão gémeo de Quetzalcoatl, a serpente emplumada, chamado Xolotl. Xolotl era o psicopompo dos astecas, o que acompanhava as almas dos mortos na sua viagem através do país da morte. Os axolotl vistos ao vivo são impressionantes, apetece tê-los em casa, estranhos e surreais, como pequenas entidades protectoras ou apenas criaturas fantásticas." uaaaau :O 26 novembre Coração Vagabundo
Em algum momento eu pensei que encontrar o cara certo era como pegar um trem, não tem muito o que dar errado, é uma linha reta. Acho que foi isso o que me inquietou, o sentimento de realização, a estabilidade. Meu coração é meio cigano, selvagem, inquieto. Não gosta de batidas compassadas demais. Também não gosta de coisa pela metade, superfície. Ele gosta de se perder e se encontrar em alguém. E se doa por inteiro. Gosta da paz e do conflito, a mão gelada, o frio na barriga.
Eu costumava pensar que de longe, as pessoas sempre são o mais interessante possível. Que tínhamos um universo de coisas a descobrir a respeito de cada um e por isso a cada pessoa que eu conhecia, ficava fascinada. Aí depois que eu me aproximava e conhecia cada detalhe ínfimo, cada atitude sua se tornava previsível, cada intenção sua eu sabia muito bem o que guardava por trás, cada detalhe detestável já havia sido descoberto por mim. Depois então de uma leve des-admiração, de um tédio, batia uma sede por novas descobertas, e outras pessoas passavam a fascinar mais.
Então eu entendi. Consegui me apegar à pessoa justamente por conhecê-la de ponta a cabeça, e isso é o melhor que a comunicação que nos torna tão humanos, permite. Talvez seja mesmo esse o sentido da nossa existência, enquanto seres racionais. Uma comunhão de pensamentos, um entendimento, que ao longo de toda uma vida nem todo mundo consegue ter. Tão bom conhecer o perfume de alguém de longe, o que mais o faz rir, o lugar onde gosta de ser tocado, os sonhos e os medos, e assim um ser a casa do outro. Seus defeitos mais detestáveis e engraçados. E ainda sim ser pega de surpresa com uma atitude completamente nova. E saber, ainda, que com você é igual – e assim você pode se ser por completo.
Aquele homem que leva a vida contando histórias e tocando pandeiro no ônibus, em troca de moedas, aquela vizinha meio maluca, meio caduca, que sempre chama pra um chá, aquele colega que não tem nada a ver comigo, aquela amiga que me conhece há 12 anos e nunca deixou uma conversa cair na mesmice. Tudo agora é absolutamente interessante, de longe e de perto. O inferno e o paraíso estão em nós, a gente é que às vezes parece que não sabe. 18 ottobre Rainbowarriors
As coisas às vezes me parecem tão cheias de agonia. É agonia pra rir e assim, enganar o vazio dentro da gente. É agonia pra fazer amigo e assim nunca ficar só. É agonia pra ter sempre o que falar, e assim, nunca ficar em silêncio. E assim, nessa ansiedade, nessa correria, perdemos a naturalidade. Tudo é planejado, as conseqüências, até as inconseqüências, tudo meticulosamente feito para um fim. Acontece que tem hora que minha forcinha interior cansa. E quer mesmo é um olhar com cuidado, mais profundo, um falar como válvula de escape, seguido de um silêncio sereno. Sem a obrigação de mostrar os dentes brancos e sorrir quando tudo o que se quer é um pouco de paz. É um toque delicado que não dependa de um olhar pedinte e o encostar um coração no outro que não dependa de prazer carnal, mas de ouvir um ao outro, batendo descompassados. Eu não quero me vender à aceitação dos outros. Nem achar que ninguém é melhor que ninguém. A cada dia isso parece tão mais forte. Eu quero é trocar os saltos pelos chinelos e me ser inteira, com as falhas e tudo mais. E você também. Eu quero paz e é só. 06 ottobre Sobre qualquer domingo dessesOntem eu fiquei de fazer a tarefa que pra mim, é a parte mais nojentinha e chata que se tem que fazer em casa: lavar as louças. Em geral aqui em casa sempre é todo mundo correndo disso e minha mãe praguejando, atrás. Enquanto o som tava ligado nas alturas e eu cantava alguma música em inglês bem alto, que por ora fazia meu pai passar rindo, eu via a água escorrendo pelos pratos, a espuma branca enchendo a minha mão, o cheiro do detergente subindo e no fim das contas os pensamentos da minha cabeça bagunçada iam se assentando.
Minha mãe sempre fez a parte chata dos trabalhos aqui em casa. Pegar fila no banco, esquentar a comida nos domingos, suada na beira do fogão, ajudar impacientemente as meninas nas tarefas, lavar a louça praguejando, ligar 24 horas por dia nervosa pra saber aonde eu estou, enquanto eu me divirto solta por aí. Como se bloqueasse a parte mais chata da vida para que a gente ficasse sempre com a mais legal. Mas por que será que agora que ela viajou, em vez de todo o trabalho chato ter ficado com a gente e a vida ter ficado muito mais estressante, as coisas parecem mais leves?
Vai ver que a vida, na verdade, não é chata. 24 settembre As melhores performances de dança em filmes- Carmen - Carlos Saura (Flamenca)
- Fred Astaire - Puttin' on The Ritz (sapateado)
Um dos maiores dançarinos de todos os tempos.
-Fred Astaire - Casamento Real
A famosa dança no teto
- Save the Last Dance (moderna[?])
- Bande à Part - Jean Luc Godard
(Nouvelle Vague fez uma versão muito legal também, com Dance With Me)
- Lavoura Arcaica (a dança árabe)
- Chicago (Tango)
- Kalluri Vaanil & Kaayndha Niilavo - Crazy Indian Dance
(acho que não é um filme, mas vale a pena pôr)
- Moulin Rouge - Roxanne
- Nos Embalos de Sábado à Noite - Jonh Travolta
Ninguém segura o magricela!
- Cabíria dançando mambo em Noites de Cabíria - Fellini
(Não achei!)
12 giugno O Pequeno Amor
Pois é. Naquele dia eu lembro bem, estava com um soluço há um bocado de tempo, e nem prendendo a respiração, nem tomando o maior susto do mundo, consegui parar. Aí você veio na maior surpresa e calou o meu soluço com um beijo. E engraçado, passou na mesma horinha. Repousou suas mãos quentes e grandes sobre as minhas pequenas, frias, sempre suadas. Mas se quer saber, eu torcia pra que elas continuassem sempre suadas. Porque no dia em que deixassem de ser, eu bem sabia, eu não seria mais tua. A nossa história nunca teve grandes declarações, nem poemas piegas, nem frases de efeito. Era mesmo uma coisinha pequena. Mas quando você olhava dentro dos meus olhos, eu encontrava a minha casa. E quando eu segurava o seu dedo mindinho, você sabia que eu seria sempre a sua pequena. Não cabia o controle sobre o outro, nem os questionários infindáveis. Mas você sabia que eu sempre estava contigo e eu bem sabia que em você, podia confiar. Isso bastava.
E era sempre assim, eu mal podia esboçar alguma raiva, você logo transformava nossa briga em cabeça pra lá, braço pra cá, boca pra lá e pra cá, nossa valsa lenta silenciosa, nosso poema épico calado. As borboletas revirando no meu estomago, teu peito subindo e descendo, ora ofegante, ora tranqüilo, a revolução dentro de mim. Mas no meio de tudo, você parava e olhava bem dentro dos olhos meus, como se fosse pra acreditar que era eu mesmo, e nessa hora eu sabia do tamanho do nosso bem querer. Como se eu fosse a mulher mais linda do mundo mesmo com o batom borrado, despenteada, a unha desbotando. Você me faz querer ser sempre melhor.
Enquanto eu quero o mundo, você quer o calor do conforto. E eu pego na tua mão e faço tu encontrar teu aconchego, enquanto você me cuida das minhas asas e mostra as mil coisas que podemos ser. E eu mesmo sabendo sempre dos seus defeitos explícitos, da tua mania idiota de querer sempre chamar atenção, da insegurança, do teu orgulho que sempre me faz abrir mão do meu, você sempre tentando ser imprevisível e eu sempre sabendo o que se passa na tua cabeça, parece que acabo gostando ainda mais de ti. É, meu bem, talvez você seja pequeno, uma sementinha sem importância, mas sem você, meu sorriso interno fica aguado. 11 giugno Bruta FlorOnde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'n roll Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim |
|
|||
|
|